Marcia, de 45 anos, aprendeu a ler o calendário do Campeonato Brasileiro antes de conseguir dar nome ao que vivia. Nos dias de jogo do Corinthians, o jantar tinha que estar pronto antes de a bola rolar. As crianças iam para a casa da avó sempre que dava. Visitas, ela desmarcava com desculpas inventadas. Durante os 90 minutos, nenhuma pergunta. “Eu vivia em estado de alerta, tentando prever o humor dele e evitar qualquer situação que pudesse provocar uma explosão”, conta ela, hoje com 45 anos.