Falar com colonialismo de dados virou um quase clichê. A formulação mais conhecida é de Nick Couldry e Ulises Mejias, que, para dizer de forma sintética, a definem com uma nova versão do colonialismo histórico. Na atual versão, apropria-se dos dados e rastros digitais produzidos no ambiente digital. É preciso compreender, no entanto, que a relação centro/periferia que caracteriza a exploração colonial moderna opera a partir de fronteiras mais fluidas. “O colonialismo digital enxerta-se sobre esse tecido abigarrado — é, a um tempo, centralizado e difuso —, e por isso escapa a qualquer mapa que o queira reduzir a uma geografia de blocos homogêneos”, explica o professor e pesquisador Ricardo da Silva Kaminski, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.