A misoginia — o ódio, desprezo ou discriminação contra mulheres — não é um desvio isolado de conduta, mas um elemento estruturante da formação social brasileira. Desde o período colonial, a organização da sociedade se construiu sobre bases patriarcais, escravocratas e profundamente desiguais, em que o poder político, econômico e simbólico foi concentrado nas mãos de homens brancos. Nesse contexto, a misoginia se articula diretamente com o machismo e o racismo, formando um sistema de opressões que hierarquiza corpos, vidas e direitos.